PL 1.087: A Holding Familiar Ainda Vale a Pena com a “Taxação dos Super Ricos” e o Novo IRPFM?

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Um Guia de Planejamento Patrimonial para Empresários

Você, empresário, dedicou uma vida inteira para construir um patrimônio sólido. Sabe, melhor do que ninguém, o peso dos impostos sobre o fruto do seu trabalho. Estruturou sua sucessão, talvez com uma holding familiar, justamente para proteger sua família e otimizar uma carga tributária que já é tão pesada. Agora, notícias de Brasília sobre o Projeto de Lei nº 1.087 trazem uma nova camada de complexidade e, sejamos francos, uma nova mordida no seu patrimônio.

A pergunta que fica é: com a nova “taxação dos super-ricos”, também conhecida como “taxação de dividendos”, a holding familiar ainda vale a pena? A resposta curta é: não, seu planejamento não está perdido, mas ele precisa urgentemente evoluir.

Neste guia, explicaremos de forma prática o que muda com o novo Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas Mínimo (IRPFM), como ele afeta seus dividendos e, o mais importante, quais estratégias você pode adotar para proteger seu legado.

O Que Muda na Prática? Entendendo os Pilares do PL 1.087

O projeto impacta diretamente a forma como o rendimento do seu capital chegará ao seu bolso.

1. A Tributação de Lucros e Dividendos: O Fim da Isenção Plena

Hoje, o lucro que sua empresa distribui é isento de IR na sua pessoa física. O PL 1.087 propõe uma retenção de 10% na fonte para distribuições mensais superiores a R$ 50.000,00 por uma mesma empresa a uma mesma pessoa física. Mais do que um imposto, isso funciona como uma antecipação que será ajustada anualmente.

2. O Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas Mínimo (IRPFM)

Para quem possui rendimentos anuais acima de R$ 600.000,00, o projeto cria o IRPFM. O alvo principal deste imposto são os lucros e dividendos, que passarão a ser considerados no cálculo de um “piso” de tributação que sua renda total deverá atingir. Aqui, a atenção aos detalhes é fundamental. A primeira leitura poderia sugerir que toda renda entraria no cálculo, mas o texto do projeto é específico e protege uma série de aplicações estratégicas.

O que NÃO entra no cálculo do IRPFM:

  • Rendimentos de contas de poupança;
  • Rendimentos de LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures de infraestrutura;
  • Dividendos de Fundos Imobiliários (FIIs) e Fiagros (com certas condições);
  • Ganhos de capital na venda de imóveis ou participações (com exceções);
  • Valores recebidos como herança ou doação.

Então, qual o grande impacto do IRPFM no planejamento patrimonial?

O alvo principal do IRPFM é justamente o rendimento que forma a base do retorno para sócios e empresários: os lucros e dividendos recebidos de empresas. Ao contrário dos investimentos financeiros listados acima, este valor será incluído na soma dos rendimentos para a apuração do imposto mínimo. Isso reforça a mensagem central do projeto: a retirada de capital das empresas para a pessoa física se tornará mais onerosa.

Como o IRPFM é Calculado na Prática? Um Exemplo Real

Imagine um empresário com uma renda anual total de R$ 1.000.000,00, composta por R$ 100.000,00 de pro-labore (já tributado) e R$ 900.000,00 de dividendos (hoje isentos).

  1. Cálculo da Alíquota Mínima: A lei define uma fórmula: (Renda Total / 60.000,00) – 10. No nosso exemplo: (1.000.000,00 / 60.000) – 10 = 6,66%.
  2. Imposto Mínimo Devido: Essa alíquota é aplicada sobre a renda total. 6,66% de R$ 1.000.000,00 = R$ 66.666,00. Este é o “piso” de imposto que a Receita espera.
  3. Ajuste Final: Vamos supor que, sobre os R$ 100.000,00 de pro-labore, ele já tenha pago R$ 16.000,00 de imposto ao longo do ano. Na declaração anual, o cálculo será: R$ 66.666,00 (imposto mínimo) – R$ 16.000,00 (imposto já pago) = R$ 50.666,00 a complementar.

Conclusão do exemplo: Não se trata de um novo imposto de 10% sobre o dividendo, mas de um “piso” de tributação sobre a sua renda total, que aproveita o imposto que você já paga sobre outras fontes.

Como a Nova Legislação Afeta sua Holding Familiar?

Este é o ponto que mais preocupa quem já estruturou seu patrimônio. Vejamos o impacto direto.

O Impacto no Caixa do Sócio: Menos Dinheiro no Bolso

A consequência mais óbvia é a redução do seu rendimento líquido. Imagine um cenário simples:

  • Hoje: Sua holding distribui R$ 100.000,00 em dividendos. Você recebe R$ 100.000,00 líquidos.
  • Com o PL 1.087: Sua holding distribui os mesmos R$ 100.000,00. Haverá uma retenção de 10%. Você recebe R$ 90.000,00 líquidos.

Doações e Adiantamento de Legítima: Uma Nova Perspectiva

Muitos planejamentos envolvem a doação das quotas da holding aos herdeiros, com reserva de usufruto. O imposto sobre a doação (ITCMD) não muda. O que muda é o valor percebido do ativo doado, os frutos. Antes, você doava quotas que geravam uma renda isenta. Agora, você doa um ativo que gerará uma renda futura tributada.

A Boa Notícia: O Fluxo Entre Empresas Permanece Isento

Aqui está o ponto mais importante para a estratégia futura: a nova tributação incide apenas na distribuição de uma Pessoa Jurídica (PJ) para uma Pessoa Física (PF). A distribuição de lucros da sua empresa operacional para a sua holding (de PJ para PJ) continua isenta. E é nesta regra que reside a chave para o novo planejamento.

Estratégias Inteligentes: Adaptando seu Planejamento ao Novo Cenário

A era da isenção total pode estar no fim, mas uma gestão séria e profissional pode fazer toda a diferença.

Ação Imediata: Resolvendo o Lucro Acumulado Antes de 31 de Dezembro

Este é o ponto mais urgente. O PL 1.087 prevê que os lucros gerados por sua empresa até o final de 2025 podem permanecer isentos, desde que a decisão de distribuí-los seja formalizada em uma ata arquivada na Junta Comercial ainda este ano. Deixar isso para depois significa submeter todo o seu lucro acumulado às novas regras de tributação.

É preciso analisar seu balanço, identificar esses lucros e formalizar a decisão, cujo pagamento poderá ser programado para os próximos 3 anos, protegendo o caixa da sua empresa.

Um Alerta Crucial para Empresas no formato S.A. (Sociedade Anônima)

Se sua empresa é uma S.A., o cuidado deve ser redobrado. A Lei das S.A. possui regras rígidas sobre a distribuição de dividendos com base em balanços intermediários. Isso significa que, para uma S.A., pode não bastar apenas fazer uma ata. Talvez seja necessário primeiro adaptar o estatuto social da empresa para permitir essa deliberação, um passo técnico que, se ignorado, pode invalidar toda a operação.

A Estratégia do “Cofre da PJ” e o Custo Oculto do Imposto

A solução de longo prazo é usar sua holding como um verdadeiro veículo de investimento. Mas por que isso é tão crucial? O impacto do novo imposto vai muito além do valor pago à Receita; ele afeta sua capacidade de construir patrimônio.

Pense no seguinte: se você distribui R$ 500.000 em dividendos para investir na sua pessoa física, com a nova regra, cerca de R$ 50.000 (10%) irão para o governo. Não se trata apenas de perder R$ 50.000 hoje. Trata-se de perder o potencial que esses R$ 50.000 teriam de trabalhar para você, sob o efeito dos juros compostos, pelos próximos 20 ou 30 anos. Uma redução de 10% nos seus aportes anuais pode significar um patrimônio milhões de reais menor na sua aposentadoria.

É aqui que a estratégia do “Cofre da PJ” mostra seu verdadeiro poder. Ao reinvestir os lucros diretamente pela holding, você está aplicando 100% do capital. Você adia o imposto (difere) e permite que a totalidade do seu dinheiro se multiplique. Mesmo que a alíquota de um futuro ganho de capital na empresa seja maior, ela incidirá sobre um montante final muito superior, o que pode resultar em um ganho líquido maior.

A holding, portanto, passa a ser a ferramenta mais eficiente para acumular e reinvestir, usando-a para:

  • Comprar novos imóveis;
  • Investir em outras empresas;
  • Montar uma carteira de investimentos financeiros em nome da PJ.

Conclusão: O jogo mudou, planejar faz toda a diferença

O Projeto de Lei nº 1.087 traz uma nova perspectiva para holding familiar, seja para criá-la seja para revisar sua forma de atuar . Ignorá-lo é deixar na mesa o dinheiro que você tanto trabalhou para ganhar. Com planejamento proativo, é possível se adaptar e minimizar os impactos no seu bolso, garantindo que seu legado permaneça seguro e próspero.

Como um Especialista Pode Ajudar Neste Cenário

Navegar por essas mudanças exige conhecimento técnico e visão estratégica. Um profissional focado em planejamento patrimonial atuará em frentes cruciais para sua segurança:

  • Diagnóstico Completo: Analisar sua estrutura atual para medir o impacto exato das novas regras.
  • Ação Urgente para 2025: Formalizar a distribuição de lucros acumulados através da elaboração e registro da ata correta, garantindo a isenção.
  • Revisão Societária (especialmente para S.A.s): Realizar as alterações estatutárias necessárias para dar validade jurídica às deliberações.
  • Redesenho da Estratégia Futura: Implementar a estratégia do “cofre da PJ” e integrar ferramentas complementares como Previdência Privada (VGBL) e Seguros de Vida.

Não espere a lei ser aprovada para entender suas consequências, algumas ações devem ser tomadas ainda este ano.

[Clique aqui para agendar uma consulta para entender melhor como você poderá ser impactado.]

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